0 Nunca mais te esquecerei Cap. 9



CAPITULO 9
06/04/2005

Cate: Mãe cada você?

Cate assustada procura sua mãe pelo apartamento e não a encontra em lugar nenhum. Ela pega o telefone que está na sala e liga para o celular da sua mãe que só dava caixa postal. Então ela liga para David que atende.
David: Alo?
Cate: Oi David, sou eu a Cate. Sei que está tarde, mas eu queria saber se você sabe onde está minha mãe. É que ela não está em casa.
David: Ela está aqui comigo, não se preocupa.
Cate: E onde é que vocês estão que ela não me contou? Olha quer saber, deixa pra lá. Se ela não me contou eu não quero nem imaginar.
David: Bom, e é melhor ela mesmo te contar, isso é uma conversa para vocês duas.
Cate: Ok, então ta eu vou dormir agora, boa noite.
David: Boa noite.


Cate vai para cama um pouco mais tranquila, mas não o suficiente pois demorou para conseguir dormir, não só pelo fato de sua mãe ter saído sem avisar, mas também pelo fato da voz do David que estava estranha, ele nunca tinha falado tão serio com Cate.
- é melhor ela mesmo te contar, isso é uma conversa para vocês duas. O que será que ele quis dizer com isso? Só falta minha mãe querer falar sobre sexo comigo!- Pensa Cate. Depois de um tempo revirando na cama, ela conseguiu dormir.

*No dia seguinte na cozinha

Cate: Ah, resolveu aparecer senhorita Elisabeth?
Beth: Cate, senta ai que eu preciso conversar com você.
Cate: Ah mãe, tem certeza de que quer conversar sobre isso agora? Não precisa ficar contando essas coisas que você e o David ficam fazendo, eu posso estar crescendo, mas isso é trágico para qualquer filho.
Beth: É sobre seu irmão.
Cate: O Tony? O que tem ele?
Beth: Você já está bem grandinha e já pode saber de toda a verdade da historia.
Cate: Será que a senhorita poderia parar de me enrolar e falar o que está acontecendo?
Beth: O seu irmão nasceu com um problema no coração. Mas quando ele era criança não era um problema tão grande, por isso a gente levava ele ao medico muitas vezes a mais do que você. Eu e seu pai não contamos nada para você, porque não tinha muita necessidade você saber disso, tanto que até para o Tony naquela época a gente não tinha falado da gravidade da situação. Eu comecei a beber feito louca naquela época porque os médicos disseram que seu irmão precisava de um transplante, e alem da gente não ter ninguém para doar, também não tínhamos dinheiro, então eu entrei em depressão. Não queria ver o meu filho morrer.

Beth começa a chorar, e Cate fica imóvel ouvindo aquelas coisas que sua mãe falava.

Beth: Então, o seu pai não achou uma boa ideia uma alcoólica depressiva cuidar de seu filho doente, e ele já não estava mais aguentando morar comigo, por isso ele pediu o divorcio e levou o Tony para Londres. Disseram que lá tinha possibilidades de arranjar um transplante para seu irmão. E foi o que aconteceu. Seu irmão conseguiu um transplante, seu pai se apaixonou pela enfermeira, se casou e teve mais dois filhos com ela, e nunca mais voltou.
Cate: E.. Eu nã.. não estou acreditando. Todas as vezes que eu julguei meu pai, e ele só estava querendo salvar a vida do meu irmão. Mas o que eu ainda não entendi é o porque de você está contando isso pra mim. Porque agora?
Beth: O novo coração de seu irmão não era 100% saudável. Era quase impossível achar um coração saudável, compatível, e pequeno como o dele. Precisávamos de uma criança da mesma idade, e do mesmo tipo sanguíneo que seu irmão. E ainda precisávamos o mais rápido possível. Então tinha que ser o primeiro que tivesse.
Cate: Ta, e daí?
Beth começa a chorar e diz: Como eu disse o coração não é 100 % saudável, e ele está dando “defeitos”, é como se o coração estivesse morrendo.
Cate: Você está querendo dizer que...
Beth: Que seu irmão está morrendo aos poucos.

Beth desaba e corre para seu quarto chorar.
Uma lagrima cai no rosto de Cate que não consegue nem se mexer na cadeira da cozinha. Fica espantada, horrorizada com a historia. Boquiaberta, começa a refletir sobre tudo e finalmente consegue entender o que estava acontecendo.

Tony: Eu vou ficar um bom tempo aqui! Quem sabe a vida toda.
Vi algumas cartas recentes do meu pai na gaveta da minha mãe.
Uma coisa que eu sempre me perguntei era porque meu pai não me levou junto.
Cate: Quem era? Porque você está chorando?
Beth tentando disfarçar: Nada filha, é que um amigo meu está doente!
Philip: Você me perdoa minha filha?
Cate: É claro que eu te perdoou pai.
Beth: Seu irmão está morrendo aos poucos.

Tudo fica claro na cabeça de Catherine. Ela vai correndo em direção ao quarto de sua mãe, e pergunta...

Cate: Em que hospital ele está?

Beth leva sua filha até o hospital. Lá ela encontra seu pai e sua madrasta na sala de espera. Cate chorando vai correndo abraçar seu pai.

Cate: Porque vocês nunca me contaram?
Philip: Desculpa minha filha. Queríamos te poupar de todo o sofrimento
Cate: É, acho que vocês não conseguiram.
Susan: Minha querida, se você quiser ver ele, ele está naquele quarto. Eu acho que ele está dormindo, mas vai ser bom você ver ele.

Cate vai em direção ao quarto onde o irmão está internado. Quando ela entra, vê Tony dormindo tranquilamente na cama, com alguns fios pelo corpo. Ela vai se aproximando da cama, limpa suas lagrimas e coloca a sua mão nas mãos de Tony, quando sente que ele começa a apertar sua mão.

Tony: Cat?
Diz Tony com uma voz fraca e rouca
Cate: Tony. Eu não queria ter te acordado.
Tony: Tudo bem. Eu já não aguentava mais descansar. Parece que esses médicos não querem me ver acordado. Eles acham que eu sou uma criança e que vou sair correndo daqui.
Cate Ainda com lagrimas nos olhos da um sorriso meio tímido.
Tony: Isso foi um sorriso? Que bom que eu ainda faço as pessoas sorrir.
Cate: Seu bobo, você sempre vai me fazer rir.
Tony: Mesmo que esse “sempre” não vá durar muito!
Cate começa a chorar e diz: Não fala assim.
Tony: Por favor não chora. Sei que é difícil mas fazer o que? Deus quis assim. E pelo menos a gente conseguiu se encontrar. Vem aqui dar um abraço no seu maninho.

Cate abraça seu irmão e diz: Te prometo que você vai sair daqui firme e forte, e mais saudável do que qualquer um.
Tony: Não prometa coisas que você...
Cate interrompe dizendo: Ei, você não me conhece, tudo o que eu prometo eu cumpro viu.
Tony: (risos) ok, se você está dizendo. Eu acredito em você.
Cate: E eu achando que você não queria mais falar comigo por causa do beijo.
Tony: (risos) por causa do beijo? E porque eu pararia de falar com você, se você é a única razão dos meus sorrisos?
Cate fica envergonhada e diz: Ah sei lá, por que talvez você não tenha gostado, ou porque você ficou com um pouco de culpa porque somos irmãos.
Tony se levanta um pouco e fica sentado: Eu achei um pouco estranho sim, porque na verdade nós somos irmãos, e isso não podia ter acontecido, mas fique sabendo que eu gostei muito viu. E não me arrependo de ter feito.

Cate vai se aproximando para beija-lo, quando seu pai entra no quarto e diz

Philip: Está tudo bem ai?
Tony: Está sim pai.

Os dias foram se passando, e sempre que Cate saía da escola ia direto para o hospital visitar seu irmão, só saía de lá a noite quando o horário de visita acabava. Fazia seus deveres, brincava, fazia piadas e passeava  com seu irmão pelo hospital empurrando sua cadeira de rodas.

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